
Eu faria o meu melhor. Eu deixaria de ser tão irrelevante, deixaria de
ser frio, deixaria de ser curto e deixaria de ser grosso. Eu deixaria de
sair todos os finais de semana com os meus amigos e beberia menos. Eu
deixaria de ser tão egocêntrico e sairia mais com você. Eu deixaria de
ser menos desprezível e seria mais amigável, com certeza, mais presente.
Eu deixaria de ser inconstante e seria cada vez mais constante em sua
vida. Eu deixaria o meu orgulho de lado quando brigássemos e te levaria
pra jantar fora todos os dias. Caso isso não acontecesse, jantaríamos a
luz de velas. Eu deixaria-te mais livre e te livraria um pouco da minha
mãe, pois eu reconheço que ela seja muito chata e insuportável de vez em
quando. Eu te ajudaria na cozinha e te pediria menos favores. Eu
deixaria de ser menos folgado e seria mais meigo. Faria cafuné em você e
massagearia os seus pés minúsculos. Eu deixaria de jogar minha sinuca
aos domingos e cogitaria, enfim, a hipótese de termos um filho. Um,
dois, três, quatro… Quantos você quisesse! Eu cortaria a grama e te
ajudaria a plantar suas rosas. Eu implicaria menos com tudo e visaríamos
só nós. Eu deixaria de ser essa casca dura, que por algum motivo, só
você aguenta. Eu deixaria de ser esse azedume que só tu prova, e seria o
doce mais doce que provara. Eu deixaria de ser eu. Eu deixaria de odiar
coisas melosas e passaria a ser um completo apaixonado. Eu deixaria de
me importar com as suas manias e não reclamaria quando você surtasse com
a toalha em cima da cama ou com a tampa do vaso não levantada. Eu
deixaria de ser esse insensível, e passaria a vestir-me melhor. Sairia
com você e te aguentaria, por um dia inteiro, comprando suas coisas. Eu
deixaria de ser um cara qualquer, que simplesmente tem uma mulher por
carência ou diversão. Eu deixaria de te ver como um ser simples, e
passaria a te ver como tudo em minha vida. Eu faria o meu melhor se nós
fossemos sinônimos de eternidade, ou amor verdadeiro.