“Deveria existir um oitavo pecado mortal: Não abandonais aqueles que vos ama.”
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
“Sobre o amor? Amor é não querer desligar-se nunca do abraço. É sentir
saudade todos os dias, inventar assunto pra não ter que desligar o
telefone. É xingar. Rir de chorar. É alertar, preocupar. É dividir
cobertor, espaço na cadeira de balanço ou um pedaço do sofá pequeno. É
esquentar a mão, fazer cafuné, dormir no colo um do outro. Amor é saber
esperar, esperar esper… É não saber se explicar. Sentir medo, ser
cúmplice, ter coragem. É sair de casa no meio da noite e se encontrar
escondido. É sonhar a semana toda com o fim de semana e o mesmo cheiro, o
mesmo abraço, o mesmo beijo. É dar gargalhadas, colocar de castigo,
estralar os dedos um do outro, mesmo sabendo que isso vai doer. É
provocar, morder a bochecha e lamber o nariz. É fazer cara de nojo,
pirraça, chantagem. É agradar. Não ter medidas. É não cansar. Não cansar
da voz, do desespero, da rotina. É ter alguém, um amigo, um fonte, uma
força. É ter você. É ser a gente.”
“Você tinha uma pequena cicatriz na mão esquerda.
Era realmente pequena, daquelas que a gente costuma perceber apenas
quando nos mostram. Mas eu percebi, distraidamente enquanto você levava o
copo até a boca, eu percebi. Dei-me conta de que você nunca havia me
contado sobre ela. Quis saber quando foi, quantos anos você tinha, se
sentiu muita dor, se os seus pais saíram desesperados para o médico e se
você ainda sentia algo nela por menor que fosse. Eu fiquei enlouquecida
pela simples história da sua cicatriz na mão esquerda que ninguém
repara. Respirei fundo e comecei a entender que querer muito o outro é
isso, é querer saber os pontos mais mínimos das cicatrizes mais
invisíveis. Há detalhes que só o amor enxerga.” Camila Costa.
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