quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Eu poderia gritar o mais alto que posso o quanto eu te quero. Mas, por que eu faria isso? Não está na cara? Não percebe o jeito como eu te olho? Não percebe como eu mudo quando você está por perto? Bem, acho que até um cego enxergaria. E é por isso que eu estou triste, não quero prolongar o meu sofrimento, só eu sei o tamanho desse sentimento, só sei que sinto morrer aos poucos por não te ter comigo. Se você não quer enxergar, é por que com certeza existem coisas muito melhores por ai do que o meu amor por você. O que faço eu agora? Vou sentar aqui, e esperar o tempo passar. Uma semana sem você dura uma eternidade, eu sei que não existe nada neste mundo que cura melhor do que o tempo, só que o tempo demora demais para passar quando você não está comigo.

Que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio. Que a morte de tudo em que acredito. Não me tape os ouvidos e a boca. Porque metade de mim é o que eu grito. Mas a outra metade é silêncio. Que a música que ouço ao longe. Seja linda ainda que tristeza. Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada. Mesmo que distante. Porque metade de mim é partida. Mas a outra metade é saudade. Que as palavras que eu falo. Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor. Apenas respeitadas. Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos. Porque metade de mim é o que ouço. Mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora. Se transforme na calma e na paz que eu mereço. Que essa tensão que me corrói por dentro. Seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso. Que eu me lembro ter dado na infância. Por que metade de mim é a lembrança do que fui. A outra metade eu não sei. Que não seja preciso mais do que uma simples alegria. Pra me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais. Porque metade de mim é abrigo. Mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta. Mesmo que ela não saiba. E que ninguém a tente complicar. Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer. Porque metade de mim é platéia. E a outra metade é canção. E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor. E a outra metade também. Oswaldo Montenegro
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